Kelson Almeida, conhecido artisticamente como Kelson Most Wanted e também por Guiana, construiu o seu percurso dentro da TRX Music, do circuito juvenil aos lançamentos com distribuição internacional. Em 2016, quando a BANTUMEN o entrevistou aos 22 anos, Kelson já conciliava os estudos de Gestão em Portugal com uma actividade musical intensa e uma sucessão de mixtapes. A TRX — fundada com Tio Edson e Emana Cheezy — tornou-se a estrutura através da qual essa fase ganhou identidade colectiva, linguagem própria e uma audiência que acompanhava de perto a chamada new school.
A escrita de Kelson sempre oscilou entre afirmação, competição e confissão. Nas primeiras mixtapes predominavam barras competitivas, referências de rua, ambição e confronto; com o tempo, ansiedade, luto, espiritualidade, relações e responsabilidade pessoal passaram a ocupar o mesmo espaço. Essa transformação ajuda a explicar por que projectos separados por quase uma década continuam reconhecíveis como obra do mesmo rapper: a técnica permanece, mas a matéria emocional ganhou peso.
«Novo Tupac», lançado em 2016, integra a primeira fase do catálogo. A mixtape de 18 faixas reuniu Tio Edson, Toy Toy, Okenio M, Nilton CM, Samuel Clássico, Dizzy Lemos, Emana Cheezy e outros nomes ligados à rede TRX e à nova geração. Um ano depois, «Imortal» ampliou essa abordagem para 17 faixas e trouxe participações como Reptile, Carla Prata, Tio Edson, Nilton CM e Okenio. Estes trabalhos ajudam a perceber a velocidade com que Kelson publicava música antes da transição definitiva para o formato de álbum.
O álbum a solo «Rony B Forever» saiu a 1 de Fevereiro de 2020 e foi dedicado a Rony Bravo, membro da TRX falecido em 2016. O disco de 15 faixas reuniu Johnny Berry, TRX Music, Edgar Domingos, Preto Show, Paulelson, Toy-Toy, Reptile e OG Vuino. A ficha técnica publicada na época documenta produção de nomes como El Clássico, Edgar Songz, Gaia Beat, Kastro Songz, Woodpecker, Elton M Júnior, Eibyondatrack e Ramon; mistura e masterização envolveram Lopera/Samlopez Music Group, Kelson Almeida no TRX Studios e Aleny no Piriline Studios, com capa de Anderson SAM D.
«Espiritual», lançado em 2023, aprofundou a dimensão introspectiva e colocou faixas como «Eu Não Minto Pt. 3», «Problemas Não Me Fazem Bem», «1 Milhão» e «Já Não Canto De Drip» no centro da fase seguinte. Os créditos disponíveis mostram Kelson não apenas como rapper e letrista, mas também como engenheiro de gravação em parte do catálogo, trabalhando com produtores como Ttheuz1n e uma rede técnica onde surgem Jay Onez e Alenny. Em Julho de 2024, foi anunciado como artista da Clé Entertainment, depois de uma fase ligada à MD Records.
«PARADOXO», lançado a 19 de Setembro de 2025 pela TRX Music com distribuição da Universal Music Portugal, reúne 16 faixas e sucede aos álbuns anteriores. O disco contrapõe afirmação e vulnerabilidade em temas como «RAP GENÉRICO», «UNDERGROUND KINGS», «MINHA ANSIEDADE», «DIÁRIO DE UM PUTO QUE QUIS SER CANTOR» e «DIAS MELHORES». A produção distribui-se por Cedes, Irino No Beat, Ttheuz1n, InterxtionalClub, Seasky, RXKZ, Kaiso, JayM Beats, Teesqui, Ronni, Davidtamas, MXSTER e Mxrda.2x, enquanto Alenny aparece de forma recorrente na mistura e masterização. Em 2026, Kelson manteve-se activo através de singles e colaborações como «Coringa», com Preto Show, Filho do Zua e Deezy, «Bourgeois (Stay Schemin Freestyle)» e «No Emotions», com Young Double e SleepyThePrince.